Condenados à felicidade


Jean da Silva Oliveira


Há em Araçatuba um andarilho chamado Simão da Silva Gomes, 68 anos. Ele é apelidado de Papai Noel por causa da vasta barba branca e é conhecido por estar sempre rindo e fazendo os outros rirem. O destino me apresentou a ele há três semanas. Aquele ser alegrou minha noite, que, confesso, não tinha, até então, grandes motivos para ser classificada como excelente. Papai Noel me deu um presente - o riso fácil por poucas coisas.

Há uma canção de Cazuza batizada "Tudo é Amor" em que ele diz: "Um homem pode se afobar e tomar o caminho errado (...) sabe que a vida é para lutar contra um dragão invisível, que mata os sonhos mais banais e acha que tudo é impossível". Ela está no álbum "Burguesia" e fala do ser humano com suas opções e arrependimentos. Nós podemos escolher nosso destino, mas não temos o direito de sermos tristes. Nascemos condenados à felicidade. É dever deixado por Deus, e aprendi com "seo" Simão que não precisamos de nada material para cumprir esse desígnio.

A vida, todos os dias, como uma folha em branco, nos dá a chance de reescrever nossa história. Não entendo, com isso, por que muitos de nós nos acostumamos ao "tá ruim, mas tá bom".

A vida, com suas possibilidades, é feita para ser consumida, bebida em grandes goles, amada e levada para edificação de Deus absoluto. Não nos foi dada a opção à felicidade, mas sim ela nos é imposta e dada de presente como filhos que somos do Criador. Ele que espera que nossa vivência seja plena e não como um copo com água pela metade.

Acredito que não devemos nos permitir ao erro de viver mais ou menos. Temos que ter a coragem de tomar as rédeas de nossas vidas e sermos sementes de gentileza e felicidade, para nós e para os outros.

Não é possível que tanta gente se acostume a apenas sonhar e enganar-se no travesseiro, enquanto adormece. São pessoas que tentam fingir que não se está vivendo uma vida incompleta.

Talvez seja o medo que nos paralise. Há uma linda canção do sambista carioca Cartola, chamada "O mundo é um moinho", em que ele diz à personagem principal que, em certa altura de sua vida, ela vai estar à beira do abismo que cavaria com seus próprios pés.

Imóveis, ou não, em nossas vidas, acabaremos cavando buracos profundos com nossas escolhas. Invariavelmente cairemos nele.

Sucumbir e levantar faz parte do processo para crescermos como humanos. Assim, o medo paralisante é injustificado, e a dor de romper com o que nos oprime, por mais aguda, certamente será menor que as doses homeopáticas de um cotidiano sem paz.

"Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância", diz Jesus (I João 2:25). Ele deixou claro que ao fazermos o contrário em nossa vida, ou seja, vivermos na infelicidade ou em uma falsa satisfação, estaremos jogando por terra seu santo sacrifício. Não estou dizendo para o caro leitor abandonar tudo e ser irresponsável. Mas quero convidá-lo a pensar sobre sua atitude em relação à vida que tem levado. O mundo, com suas satisfações descartáveis e sua moralidade imposta, não é a resposta para corações criados para serem livres e dedicados ao amor. É neste músculo que está o segredo para a plenitude.

Rude de alma é o homem ou a mulher que procura a satisfação fora de seu corpo. Ela está escondida em seus desejos como uma parte involuntariamente nata. Para tê-la só é preciso ter coragem para não deixar seu patrão, seu companheiro e até seus filhos ditarem o que lhe é melhor. Assuma, quero ser feliz e seja!Ninguém poderá sê-lo por ti.



 Escrito por JEAN OLIVEIRA às 09h13 [] [envie esta mensagem] []






Mídia de fé e religião pop

 

Jean da Silva Oliveira

 

Sair de casa aos domingos, com a melhor roupa possível para confessar os pecados e comungar. Este comportamento, que ficou fora de moda na segunda metade do século passado, após a liberação feminina e redesenho das famílias, cada vez mais longe do idealizado pai, mãe e filhos, todos frutos de um único casamento, volta a fazer parte da vida de milhões de pessoas. E esta mudança de atitude é atribuída à mídia – aquela mesma que era excomungada há pouco tempo atrás nos altares por supostamente emudecer as famílias, pregar o sexo irresponsável e conduzir a massa ao consumismo.

 

A revista Isto É, na edição de 12 de novembro, destaca que, hoje, são 13 emissoras de tevê, 97 rádios, dez gravadoras e 40 editoras católicas a serviço de uma nova cruzada para arrebanhar fiéis. A reportagem “O avanço dos católicos na mídia” inventaria os investimentos das filiais da Santa Sé, que iniciaram, nos últimos dez anos, um movimento para aproveitar melhor as novas formas eletrônicas de evangelização, fazendo, inclusive um contraponto à iniciativa evangélica. O movimento neo-pentecostal já havia descoberto este nicho de mercado desde a década de 80 e já é dona da Rede Record, detentora de uma das três maiores emissoras abertas de televisão do Brasil.

 

O maior exemplo desta reação católica por meio da mídia é a rede Canção Nova, que é comandada direto da cidade paulista de Cachoeira Paulista e hoje tem uma emissora de TV que abrange quase a totalidade do território brasileiro e ainda 28 emissoras de rádio próprias e 76 fidelizadas que ajudam a buscar até mesmo aquele fiel não-praticante que trabalha na roça mais escondida nos rincões da Nação.

 

A Canção Nova tem ainda um portal de internet que contabiliza mais de 100 mil acessos diários e tem o serviço de contribuição financeira "online". Todo este poderio é mantido com doações mensais dos expectadores, que ainda consomem produtos como CDs e livros. Somente no ano passado, a rede vendeu mais de 2 milhões de livros e 700 mil CDs e DVDs. Este aparato todo faz surgir fenômenos midiáticos como o padre Marcelo Rossi, que se aventurou até nos cinemas com duas obras, e o padre Fábio de Melo, que fez tanto sucesso que já faz parte do casting da gravadora Som Livre.

 

O avanço da fé na mídia é um fenômeno que está longe de seu ápice. O novo rebanho reforça os caixas e novas aquisições são feitas. Até mesmo os jornais impressos já são alvos do poder de compra de católicos e protestantes. Vivemos dias em que a fé e disputa pelos corações e mentes pelas religiões nos cerca por todos os lados. A santa mídia, que muda do cenário do controle dos meios de comunicação, nos coloca frente a frente com questões éticas sobre isenção de fontes e condução tendenciosa de temas nacionais. É preciso separar a fé do Estado e a religião da consciência cidadã.

 

São sinais de um tempo em que o apocalipse da fé, anunciado desde o iluminismo e quase solidificado na Era da Informação, se dissipa no horizonte. As frases nas camisetas não são mais de libertação, mas de propaganda de Jesus. Surge um novo desafio para as academias de Comunicação Social e ao público ávido por conhecimento edificante e plural.



 Escrito por JEAN OLIVEIRA às 08h54 [] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 





BRASIL, Sudeste, ARACATUBA, JARDIM SUMARE, Homem, de 26 a 35 anos, Livros, Games e brinquedos
MSN - reporterjean@hotmail.com





 
 




BLOG DO ALEDOSO
Blog do Zé Marcos
BLOG DO LUCAS MATHEUS
Blogo do Lucas
MARCELO HENRY
GUSTAVO BITTENCOURT
 
 

Dê uma nota para meu blog