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Condenados à felicidade
Jean da Silva Oliveira Há em Araçatuba um andarilho chamado Simão da Silva Gomes, 68 anos. Ele é apelidado de Papai Noel por causa da vasta barba branca e é conhecido por estar sempre rindo e fazendo os outros rirem. O destino me apresentou a ele há três semanas. Aquele ser alegrou minha noite, que, confesso, não tinha, até então, grandes motivos para ser classificada como excelente. Papai Noel me deu um presente - o riso fácil por poucas coisas. Escrito por JEAN OLIVEIRA às 09h13
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Mídia de fé e religião pop
Jean da Silva Oliveira Sair de casa aos domingos, com a melhor roupa possível para confessar os pecados e comungar. Este comportamento, que ficou fora de moda na segunda metade do século passado, após a liberação feminina e redesenho das famílias, cada vez mais longe do idealizado pai, mãe e filhos, todos frutos de um único casamento, volta a fazer parte da vida de milhões de pessoas. E esta mudança de atitude é atribuída à mídia – aquela mesma que era excomungada há pouco tempo atrás nos altares por supostamente emudecer as famílias, pregar o sexo irresponsável e conduzir a massa ao consumismo.
A revista Isto É, na edição de 12 de novembro, destaca que, hoje, são 13 emissoras de tevê, 97 rádios, dez gravadoras e 40 editoras católicas a serviço de uma nova cruzada para arrebanhar fiéis. A reportagem “O avanço dos católicos na mídia” inventaria os investimentos das filiais da Santa Sé, que iniciaram, nos últimos dez anos, um movimento para aproveitar melhor as novas formas eletrônicas de evangelização, fazendo, inclusive um contraponto à iniciativa evangélica. O movimento neo-pentecostal já havia descoberto este nicho de mercado desde a década de 80 e já é dona da Rede Record, detentora de uma das três maiores emissoras abertas de televisão do Brasil.
O maior exemplo desta reação católica por meio da mídia é a rede Canção Nova, que é comandada direto da cidade paulista de Cachoeira Paulista e hoje tem uma emissora de TV que abrange quase a totalidade do território brasileiro e ainda 28 emissoras de rádio próprias e 76 fidelizadas que ajudam a buscar até mesmo aquele fiel não-praticante que trabalha na roça mais escondida nos rincões da Nação.
A Canção Nova tem ainda um portal de internet que contabiliza mais de 100 mil acessos diários e tem o serviço de contribuição financeira "online". Todo este poderio é mantido com doações mensais dos expectadores, que ainda consomem produtos como CDs e livros. Somente no ano passado, a rede vendeu mais de 2 milhões de livros e 700 mil CDs e DVDs. Este aparato todo faz surgir fenômenos midiáticos como o padre Marcelo Rossi, que se aventurou até nos cinemas com duas obras, e o padre Fábio de Melo, que fez tanto sucesso que já faz parte do casting da gravadora Som Livre.
O avanço da fé na mídia é um fenômeno que está longe de seu ápice. O novo rebanho reforça os caixas e novas aquisições são feitas. Até mesmo os jornais impressos já são alvos do poder de compra de católicos e protestantes. Vivemos dias em que a fé e disputa pelos corações e mentes pelas religiões nos cerca por todos os lados. A santa mídia, que muda do cenário do controle dos meios de comunicação, nos coloca frente a frente com questões éticas sobre isenção de fontes e condução tendenciosa de temas nacionais. É preciso separar a fé do Estado e a religião da consciência cidadã.
São sinais de um tempo em que o apocalipse da fé, anunciado desde o iluminismo e quase solidificado na Era da Informação, se dissipa no horizonte. As frases nas camisetas não são mais de libertação, mas de propaganda de Jesus. Surge um novo desafio para as academias de Comunicação Social e ao público ávido por conhecimento edificante e plural. Escrito por JEAN OLIVEIRA às 08h54
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